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Minha Biografia

Meus Antepassados

Não conheci meus bisavôs maternos. A mãe de meu avô era uma indígena, Dona Maria, que viveu bastante. Lembro dela, na casinha de madeira dela, nos fundos na casa da filha caçula, em Curitiba. Tinha um cheiro peculiar. Acho que ela pitava fumo. Uma mulher de poucas palavras, uma vida muito sofrida. Já a mãe de minha avó materna era uma mulher bem cuidada. Casou mais de uma vez e tinha uma casa bem arrumada, com seus gatos e seu fogão à lenha.
Sei que minha avó paterna foi filha de uma mãe solteira. Conhecida como Madrinha, que devo ter visto uma ou duas vezes na minha primeira infância. Ela era empregada doméstica na casa do homem que lhe engravidou. É o tipo de coisa que se fala muito pouco na família. O pai de meu avô se chamava Marcos e a mãe de meu avô se chamava Catarina. Dela herdei o nome do meio. Quando eu era bem pequena, meu padrinho, Tio Lolo (Lourival, in memorian) me contou uma história dela que foi o primeiro estímulo para que eu me tornasse uma biógrafa. Eu lembro de ter escrito uma crônica com todas as informações que reuni sobre ela, mas não encontrei este arquivo ainda. De 2001 a 2019 eu pesquisei as oriegns remotas da família Sabatke. Eis o resumo que tenho de Marcos Sabatke: 1. Marcos Sabatke *... Rio Negro PR **3/5/1902 Igr. Matriz paróq. Sr. Bom Jesus da 
Coluna do Rio Negro PR (Livro Casam. No. 8 A; pg. 9v./10; no. 27; Celebr. Mons. Vicente de 
Brunikowsky; tests.: Nicolau Ruthes e João Ruthes) c/Catharina Gruber *... Fa.: Miguel Gruber 
e Catharina Gruber. Resids. Colônia Ruthes, Mafra SC
Laura Gritten foi uma grande referência para mim. Negociante intuituva e inventiva, guerreira incansável, sempre buscou dar conta de tudo, se desdobrando entre a faxina e o balcão da venda. Ela morreu em 1987, com pouco mais de 40 anos. Teve um AVC fulminante enquanto trocava a fralda de um neto. Suas últimas palavras: "eu não vou conseguir" Meu vô, Jeca. começou como pedreiro e depois se tornou dono da venda que minha vó estruturou. Só que nunca foi um comerciante de fato.
A única imagem que tenho de meu avô Paulo é de um homem doente, acamado, com bronquite crônica ou algo assim. Acho que era tristeza, mas não sei muito da sua história. Sua esposa, minha avó Emília. A vó Mila era mulher vibrante: jogava cartas, dava risada, fazia sabão de sebo e tocava a casa e os filhos para frente.
O nome de meu pai é Paulo Sabatke Filho, nascido em Mafra (SC), em 22/07/1951. Minha mãe chama-se Zélia Aparecida Sabatke, nascida em Água Azul (PR), em 22/12/1956.
Meu pai crescer em Butiá do Lajeado, um distrito no interior de Mafra. Aos 12 anos foi enviado para o Seminário de Rio Negrinho (SC). Ficou lá por um ano e depois foi morar na casa da irmã mais velha, Izabel, em Mafra. Antes dos 18 anos foi para Curitiba (PR) para morar na casa dos irmãos enquanto se encaminhava profissionalmente, até prestar o serviço militar em 1970.
Meu pai é loiro, de olhos castanhos e 1,8m de altura. Seus cabelos ficaram brancos antes dos 40 anos. Sempre se cuidou muito, indo à manicure e fazendo todo tipo de dieta para se manter em forma. Minha mãe tem cabelos e olhos castanhos e 1,6m de altura. Sempre se dedicou muito mais ao trabalho e aos filhos do que a si mesma,
Meu pai é expansivo e minha mãe é mais reservada. Embora o casamento deles não tenha ultrapassado os 25 anos, seguem sócios da empresa que fundaram juntos. O valor que os uniu foi o de melhorar de vida e formar uma família que se apóia para progredir em todos os níveis.
Tanto meu pai quanto minha mãe são muito trabalhadores. Este é o principal tema de interesse deles.
Ao mesmo tempo que a história deles foi uma inspiração para mim, também é um alerta.
Valores: de fazer tudo certo, de manter relações através dos altos e baixos da vida.
Foi logo que ele se conheceram. Na época meu pai tinha saído do quartei e morava na casa de um irmão na Vila São Pedro e trabalhava com ele como auxiliar de serviços gerais na lanchonete do centro acadêmico de estudantes de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). De tanto ver os méditcos e estudantes bem vestidos, de branco, também começou a se vestir. Tinha até uma carteirinha falsa de terceito anista de medicina. Foi assim que se apresentou à minha mãe, a moça que trabalhava na venda da família na Vila São Pedro. Quando o namoro começou a engatar, ela resilveu fazer uma visita surpresa a ele na faculdade e a história foi passada a limpo.
Meu pai foi minha paixão por muito tempo. Com a chegada da maturidade, consegui começar a observá-lo com um ser humano. Acredito que ele também esteja me vendo assim agora. Em função desta grande paixão infantil, minha mãe e eu estabelecemos de longa data uma relação de rivalidade. Com a maturidade, isso abrandou e estamos cada vez mais próximas.

Meus primeiros passos

Sim, eu sou a mais velha de 5 irmãos. Eu nasci em 1975 e depois de mim, em 10/05/1979, chegou o Paulo Sabatke Neto, meu companheiro de uma vida toda. Depois disso, minha mãe teve vários problemas de saúde e as três gestações seguintes foram muito acidentadas, tanto que nenhum destes filhos sobreviveu.
Minha relação sempre foi com o Paulinho, que eu chamava - e ainda chamo - de Pinho. A gente brigava muito! Acho que brigamos tudo que tínhamos que brigar naquela época. Eu era magrinha, de cabelos escurtos. Ele, mais rechonchudo, de cabelos loiros: o "grãozinho de ouro" de nosso avö Paulo.
Como eu falei, as últimas três gestações de minha mãe foram muito acidentadas. Em 1980, a Paulinha, veio a óbito dentro da barriga de minha mãe na última semana de gestação, devido a uma eclâmpsia. Depois do parto normal da criança morta, minha mãe ficou inconsciente na UTI. Eu e meu pai fomos enterrar a irmãzinha num caixão branco do tamanho de uma caixa de sapato. Um mês depois, minha mãe voltou para casa e não lembrava da coisas, O tempo se passou, ela engravidou novamente e perdeu antes dos três meses de gestação. Uma nova gravidez, em 1982, eu escolhi o nome do maninho: Renato. Ele nasceu em 3/01/1983, num parto de muito risco. Logo nos prmeiros meses de vida, começamos a notar que ele tinha convulsões enquanto mamava. Ele recebei todo o tratamento disponível na época e conseguiu viver até os 9 anos. O diagnóstico era disritimia cerebral e as convulsões foram ficando cada vez mais graves. Ele faleceu em janeiro de 1991.
Sim, tínhamos muitos primos. Do lado do meue pai, quase 50. Alguns já adultos. Vivíamos a infância em Curitiba muito próximo aos familiaes, tios, tias, avós maternos.
era uma alegria muito grande assim viver no meio da família né pra uma criança pequena então era tudo mais ou menos no mesmo bairro sabe na vila são pedro estou na rua de baixo do mercadinho da vó o mercadinho do tio tio avô os primos ali pelo meio daí nas ruas de cima tinha os outros tios da parte do pai os filhos dele uma bagunça quando juntava a família pra comer daquelas mesas grandes e eu me lembro que tinha sangria pras crianças tomar né quero suco feito de de vinho né suco e enfim são memórias muito gostosas assim de uma época que não volta mais né na época que a gente morava em curitiba
meu nome completo é joyce catarina sabatke
ai fui muito esperada né a primeira filha a primeira neta do lado da da vó materna né sempre fui xodó da da mãe da minha mãe nasci de parto normal fui muito querida assim né tem uma uma história que quando a minha mãe chegou comigo no colo da maternidade juntou o pessoal da vizinhança pra olhar e uma senhora tentou pegar ela do meu colo assim uma vizinha meio desequilibrada e que até roubava a roupa do varal roupa de neném sei lá qual era a problema que a mulher tinha né mas foi uma situação que a minha mãe se viu
naquela época a minha família morava na vila são pedro é numa casinha que fazia parte dos imóveis que meu vô tinha pra alugar era tipo do cortiço assim na casinha pequena foram a casinha dos nossos primeiros anos né até que meus pais conseguisse construir a casa própria que foi mais ou menos ali por 79 quando meu irmão segundo irmão o paulo neto nasceu
essa casa construída pelos meus pais na rua jerônimo tadeu na vila santa inês no bairro boqueirão uma casa que ela tinha 2/4 quero quarto do casal e o quarto dos filhos
a cidade curitiba nos anos 70 ela estava recebendo muitos imigrantes do interior né e a região que a gente morava era uma região dessas de expansão então muita gente vindo ocupando de forma ordenada ou desordenada né então no mesmo bairro ali tinha nossa vila que tava se organizando tava começando a canal esgoto né fazer o esgoto encanado enfim
a minha primeira escola foi a escola municipal érico veríssimo aí dentro dessa região ali no boqueirão e era uma escola municipal que atendi toda essa clientela né as crianças da vila as crianças da cohab que crianças da favela então foi um início de vida já entendendo que o mundo é diverso né que tenha singularidades que tem diferença e entender os meus privilégios assim de ter pai e mãe pai e mãe alfabetizado
ah tinha professora do primeiro ano que uma baixinha assim bem rígida que o que ela falou no primeiro dia de aula me estimulou estudar o máximo que eu pudesse nessa vida e a professora do segundo ano ela me estimulou a ser artista né então foram duas pessoas que me marcaram muito assim nessa fase
eu não lembro muito do relacionamento com os meus colegas nessa fase dessa escola né dessas primeiras escolas depois pra frente quando eu mudei de bairro a gente foi mais pro centro fiquei um ano numa escola estadual na francisco xavier da silva depois eu fui a fazer a quarta série na tia paula aí lá eu interage mais com as pessoas né e só depois na quinta série com a gente muda pra santa catarina se fique em itajaí que daí eu fiquei a quinta a sexta sete oitava
eu gostava dos meus cadernos né quando eu comecei a escola não sei porque mas era um padrão de encadernar os cadernos no início do ano letivo com o papel verde era um padrão assim botar etiqueta né depois foi passando e assim que marcou mesmo o meu ginásio foi a relação com os livros né eu li a bíblia biblioteca infantil da do colégio aplicação do sesc eu devo devorava livros eles foram meus grandes parceiros
sim eu sempre fui uma excelente aluna sabe sempre muito dedicada muito cbf quando eu termino o ensino médio passo no vestibular eu passei em primeiro lugar geral da universidade e deixei a sua universidade pra trás e fui pra federal porque tinha passado na federal que era muito mais difícil né então sempre fui muito dedicada
como eu falei gostava muito de ler né era minha minha diversão a minha fuga eu ficava trancada no meu quarto lendo foi uma fuga sim né não tinha muitos hobbies eu tentei jogar vôlei mas era desastrada
e práticas religiosas eu fiz a primeira comunhão em curitiba e depois eu fiz a crisma itajaí mas o básico assim não não era nada que imobilizasse muito não me identifiquei muito não encontrei minha turma por lá
sim sempre foi muito com a família né até porque meu irmão era doente então a gente ficava muito mobilizado né muito em casa trabalhando todo mundo junto na empresa então sempre foi muito com a família
olha não foi muito abalada na época que eu morava com os meus pais né primeiro que tinha um controle bastante rígido assim né de de saída começa sair com 15 anos no barzinho próximos e tinha que voltar às 10 enfim e daí com 16 o meu irmão morre e ficou um clima muito ruim dentro de casa né eu vivo convive com eles aí até os 18 anos chega época de ir pra faculdade né então assim sempre nesse nessa época com os pais tinham um dilema minha mãe fazia um drama muito grande com medo que acontecesse alguma coisa saísse tivesse um acidente enfim isso
é na minha cidade na época da quaresma né os bailes fechavam e daí todo mundo único diversão que tinha era o cinema da cidade né que eram dois cinemas um lado do outro e daí todo mundo ficava no centro pra assistir o cinema no domingo né então eu lembro que na minha fase de 15 16 era muito presente isso e os bailes também mais da sociedade né também dos 16 17 foi bem legal ah eu gostava muito do risoto que se fazia nos encontros de família
eu gostava muito quando tinha os casamentos da família eu quero festas grandes feitas no salão de festa da do paroquial da da igreja local né então na noite se fazer churrasco e no outro dia eles fazia um risoto eu gostava muito daquele risoto assim sabe o sabor de família reunida muito bom assim e na adolescência enquanto a minha mãe trabalhava começou a trabalhar na empresa eu eu cozinhava e fazer o almoço pra família então comecei a desenvolver um gosto por cozinhar
eu fui uma criança quietinha na minha infância porque a minha mãe e meu pai eles estavam muito mobilizados em cuidar da saúde do meu irmão e construiu um negócio pra que a gente pudesse ter uma vida melhor ter condições pra tratar o meu irmão pra manter a vida pra progredir né então eles empreenderam de várias maneiras a gente tava ali pelo meio né ajudando teve sim uma peripécia uma vez a gente tava prestando serviço na empresa de águas de curitiba e era era chegar à noite lá quando o pessoal já tinha saído do trabalho e tirar as cortinas e levar lavar as cortinas e depois recolocar então os adultos né e a minha mãe meu pai meu tio né e eu e meu irmão ficamos ali pelo menos e o que que eu fiz eu peguei uma chave de fenda e tinha uma mesa de reunião linda de diretoria e essa mesa apareceu riscada com a chave de fenda eu não lembro mas as mulheres da limpeza viram eu fazendo isso né e quando veio a público infinite o depoimento delas e meu pai teve que pagar pelo conserto daí ele foi conversar com todo jeito comigo né eu não neguei a autoria do atentado e eu tinha um saquinho de moedas assim e eu entreguei pro meu pai
o ensino médio cursei no colégio aplicação da univali e daí decidi que queria voos maiores queria ter mais liberdade então consegui passar no jornalismo da universidade federal então eu cursei o jornalismo lá quando eu termino jornalismo eu vou pra já tava trabalhando em redações net rádio com internet também e daí eu vou pra porto alegre trabalho nas redações do jornal de novo hamburgo do nh e depois trabalho nas
eu não me lembro dos sonhos que eu tinha quando era criança na quarta série teve um professor que estimulou a gente ia contar histórias né e eu pensei que de repente ser historiadora fosse algo pra mim né e a vida acabou me levando pro jornalismo que é uma forma de contar histórias também então acho que as histórias de vida ela sempre me acompanharam escrever também sempre me acompanhou né meu primeiro livro o fantasma político que eu publico ele em 2018 eu escrevi ele em 1986 quando eu tinha 11 anos eu não sei de onde veio esse aprendizado
eu amava escrever eu tinha os meus cadernos de adolescente que minha mãe guardou e eu tenho eles ainda hoje então o meu
o aprendizado mais importante que eu tinha que batalhar pela minha vida pelos meus sonhos que eu tinha que correr atrás